Olimpíadas têm dessas coisas! É cada uma…

*Danielle Zangrando

Quando comentamos sobre os principais acontecimentos dos Jogos Olímpicos de Pequim percebemos que numa competição dessa grandeza tudo pode acontecer, para o bem ou para o mal. E que, por mais que se treine e esteja preparado, o atleta pode enfrentar circunstâncias absolutamente inesperadas. E o público acompanha e aprende. Assim, como todos conheceram o cavalo Baloubet do Rouet, que refugou nos Jogos de Sydney, e foi ouro em Atenas, agora todo mundo sabe que o salto com vara precisa de equipamento personalizado e especial.

Em Qingdao, os ventos sopraram a favor da dupla Fernanda Oliveira e Isabel Swan, na classe 470 do iatismo, no início da última semana dessa Olimpíada. As velejadoras ganharam a primeira medalha da vela feminina na história para o Brasil. E, agora, com 15 medalhas, a vela se igualou ao judô. São os esportes olímpicos com mais medalhas.

Em Shangai, show do futebol feminino, dia de glória para Marta e cia, contra a Alemanha: 4 a 1. Um jogo memorável (gols da capitã Prinz, para a Alemanha, de Formiga, Cristiane, com 2, e Marta, para o Brasil). É torcer pelo ouro num Brasil x Estados Unidos.

Foi uma jornada que ainda teve a vitória das duplas de vôlei de praia – Márcio e Fábio Luiz, Ricardo e Emanuel.

Parecia que tudo vinha para apagar os problemas da véspera, quando Diego Hypólito caiu no último movimento de uma difícil acrobacia, no fim de uma apresentação quase perfeita. Que ficou marcado pela queda da Jade, no salto sobre a mesa, e as saídas de Daiane dos Santos das linhas, no aparelho solo.

As vitórias acabaram ofuscadas por um drama inusitado: sumiu uma das dez varas usadas pela brasileira Fabiana Murer. Ela estava entre as favoritas (tinha a terceira melhor marca do mundo, com 4,80m), na acrobática prova do salto com vara.Com o sumiço de uma das varas, fundamental para que ela ultrapassasse 4,55m, Fabiana se deixou dominar pelo nervosismo. Dispensou a altura e passou a tentar outros saltos, com o sarrafo elevado à 4,65m, altura para a qual tinha vara adequada. Errou nas três tentativas a que tinha direito.

Na mesma prova, a russa Yelena Isinbayeva conquistou o bicampeonato olímpico, com novo recorde mundial: 5,05m. Uma mulher de gelo antes de cada salto que consegue relaxar, deitada no chão com a cabeça coberta, durante a competição e esbanja simpatia. 

A organização do evento não achou a vara de Fabiana. Mais tarde o técnico Elson Miranda descobriu que a vara estava num depósito, na Vila Olímpica, junto com o equipamento de outras competidoras já eliminadas. Os organizadores pediram desculpas, mas… Nada adiantou. Um caso lamentável que ficará marcado para sempre na nossa memória de uma forma negativa. Tiraram o sonho de uma atleta de conquistar uma medalha olímpica, da pior forma possível.

Fabiana, a sua frustração também é nossa indignação. Força!

Danielle Zangrando

Danielle Zangrando, de 28 anos, é judoca da equipe do Banco Cruzeiro do Sul. Já disputou Olimpíada e sabe a sensação. Desta vez, estará aqui no Brasil como comentarista da Globo e do SporTV. Danielle confessa seu amor ao esporte e ao judô.

 

 

 

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