*Danielle Zangrando
Para o Brasil os Jogos Olímpicos de Pequim terminaram com o sabor amargo da derrota do vôlei masculino para os Estados Unidos. O time brasileiro não intimidou os americanos e venceu praticamente com um único jogador. Stanley foi o algoz do Brasil. O time de Bernadinho não teve aquela atuação exemplar que o consagrou nesses últimos quatro anos e a derrota foi inevitável, mas foram guerreiros e lutaram até o final com dignidade.
O Brasil ficou em 23.° lugar no quadro de medalhas com 15 medalhas no total. Não foi uma participação excepcional até porque conquistamos apenas três medalhas de ouro, duas a menos que nos Jogos de Atenas/2004. Mas Olimpíada é assim mesmo.
O que me surpreendeu foi que as nossas maiores esperanças de pódio, atletas que tinham no currículo medalhas olímpicas, mundiais e pan-americanas, não tiverem o desempenho esperado por todos nós: futebol masculino, Rodrigo Pessoa (hipismo), Jadel Gregório (atletismo), Marilson do Santos (atletismo), Diego Hypólito (ginástica artística), Ricardo Winick, o Bimba (iatismo), João Derly (judô), Luciano Corrêa (judô) e Thiago Pereira (natação).
Sei que saíram de Pequim sem nenhuma medalha, mas de cabeça erguida porque fizeram o melhor que podiam. Em uma competição deste nível favoritismo só serve para colocar uma pressão muito grande sobre o atleta. Acredito que tudo o que passaram valeu como experiência e motivação para os Jogos de Londres/2012.
Mas no balanço da Olimpíada o que se destaca são as mulheres. Elas foram bem e escreveram um capítulo à parte em Pequim. Quebraram tabus, fizeram história em várias modalidades. Começando com o bronze de Ketleyn Quadros, que conquistou a primeira medalha olímpica para o judô feminino brasileiro. Depois com o bronze das velejadoras Fernanda Oliveira e Isabel Swan, que também foi a primeira medalha das mulheres na vela. Assim como o bronze, também histórico, de Natália Falavigna, no taekwondo.
E as meninas do futebol feminino mostraram mais uma vez que formam o segundo melhor time do mundo, apesar da falta de apoio. Exibiram talento puro e garra ao conquista r a segundo medalha olímpica de prata. Choraram porque sabiam que poderia ter conquistado o ouro. Mas ter duas medalhas de prata não é o que se pode chamar de fracasso.
A saltadora Maurren Maggi foi a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro em esportes individuais. Maurren teve a honra de ser campeã olímpica. Assim como as meninas do vôlei, também pela primeira na vez na história. Podem encher a boca para dizer: “Eu sou campeã olímpica”. “Fala de novo campeã olímpica”, pediu Maurren a uma repórter. “Que chique!. Eu gosto de ouvir campeã olímpica”, justificou.
Parabéns mulheres guerreiras e superpoderosas! Atletas, filhas, esposas, mães, donas de casa…Valeu mulheres brasileiras de ouro!!!
Danielle Zangrando
Danielle Zangrando, de 28 anos, é judoca da equipe do Banco Cruzeiro do Sul. Já disputou Olimpíada e sabe a sensação. Desta vez, estará aqui no Brasil como comentarista da Globo e do SporTV. Danielle confessa seu amor ao esporte e ao judô.



